Diariamente, o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) registra uma média de 16 admissões por acidentes de trânsito. Desse total, cerca de 12 são apenas vítimas de motocicleta são pacientes trazidos de diferentes locais como: Aracaju, 75 municípios sergipanos, além de algumas cidades de Alagoas, Bahia e Pernambuco.
Com o elevado número de pessoas afetadas por acidentes de trânsito – 7.926 ocorrências registradas apenas em 2025, entre vítimas fatais e não fatais, segundo a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) -, observa-se que a maioria das vítimas é do sexo masculino, com 49 casos, enquanto as mulheres somam 16 ocorrências. Profissionais da saúde pública e da segurança viária, sinalizam para impactos no sistema hospitalar, transformando o aumento dos acidentes em um problema de saúde pública.
A maioria das vítimas é composta por condutores de motocicletas. Em 2025, o Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) apontou aumento no número de ocorrências e informou que, somente no último semestre, 1.408 acidentes foram registrados na capital; 1.209 deles envolvendo motocicletas. Já a (SMTT) destacou que 33 acidentes envolvendo motociclistas foram registrados ao longo do ano.
O impacto vai além das estatísticas. No Huse, quase 80% dos acidentados de trânsito atendidos são motociclistas, e cresce a demanda por leitos, cirurgias ortopédicas e reabilitação. Quando o acidente resulta em fratura, o tempo médio de internação varia de 5 a 11 dias, mas a alta hospitalar é apenas o começo de uma longa recuperação.
Acidentes no trânsito
Segundo o Ministério da Saúde, grande parte dos acidentes envolve motocicletas que seguem como o meio de transporte mais utilizado para deslocamento rápido e trabalho, e os maiores tipos de acidentes são de colisão lateral, traseira e transversal.

Dados de colisões de veículos em Aracaju, disponibilizado pela Polícia Militar de Sergipe.
Para o tenente coronel Edson, subchefe da Assessoria de Comunicação da Polícia Militar de Sergipe (PMSE), esses acidentes refletem um problema de saúde pública, uma vez que uma parcela expressiva dos atendimentos hospitalares na ampla região de Aracaju está associada a acidentes de trânsito. “É, sim, um problema de saúde pública também, porque muita demanda que chega nos hospitais na grande Aracaju demanda também dos acidentes de trânsitos. Daí a importância da prevenção, da educação para o trânsito e que os condutores se sensibilizem na direção do condutor”.
Além do excesso de bebida, um dos fatores que contribuem para o aumento dos acidentes incluem também a carência de infraestrutura adequada em certas vias. Entretanto, segundo o tenente, embora a infraestrutura das ruas de Aracaju estejam precárias em algumas vias, o mais perceptível pelos agentes na maioria dos acidentes é a falta de prudência e responsabilidade dos condutores com sua própria vida.

Para Rogério Carvalho, inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF/SE), colocar toda a culpa só nos motoristas, além de pedestres e ciclistas é um erro muito sério. Os órgãos públicos precisam se dedicar mais e trabalhar com mais empenho para resolver essa questão. “Enquanto os gestores não tomarem para si a responsabilidade de um trânsito seguro, e continuarem a colocar a culpa sempre nos usuários das vias, não teremos boas perspectivas de amenização”.
Além disso, para ele, é necessário reconhecer que as pessoas estão sujeitas a falhas e cabe ao poder público adotar todas as medidas necessárias para dificultar que esses erros ocorram. “Temos que compreender que pessoas sempre cometerão erros, que o poder público tem que fazer de tudo para que esses erros não sejam cometidos tão facilmente, e que nenhuma morte no trânsito é aceitável”, afirmou o inspetor.
Agentes de trânsito defendem que a reversão desse cenário passa por um conjunto de medidas e, por isso, reforços na fiscalização ou campanhas como a Lei Seca são tomadas para tentar sanar ou diminuir os acidentes nas vias de Aracaju.
Saúde Pública
Devido às ocorrências, muitas das vítimas que chegam aos hospitais decorrem de acidentes de trânsito, sobrecarregando as demandas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, nas unidades municipais, os acidentes considerados leves são atendidos e liberados após avaliação médica. Isso ajuda a aliviar a carga de trabalho do hospital.
O problema, contudo, é no hospital estadual, para onde grande parte dos acidentados vão. Especialmente em Aracaju, muitos dos acidentados são transportados para o Huse, sobrecarregando a urgência e evidenciando a predominância desse tipo de ocorrência.

De acordo com o coordenador da cirurgia geral do Huse, Ricardo Jabbour, muitos desses pacientes ficam com sequelas permanentes, o que gera custos elevados para o sistema público. Segundo o inspetor federal, os acidentes também comprometem a qualidade de vida das vítimas e de seus familiares, “Se o acidentado for provedor da casa, deixará a família desamparada por muito tempo, ou talvez, nunca mais consiga dar assistência”
Brenno Wallysson foi uma das vítimas de acidentes de trânsito, para ele, o acidente teria sido menos traumatizante se ele não tivesse infringido algumas leis. “Eu caí cerca de seis, sete vezes. Mas, a lesão que mais me impactou foi a que eu quebrei três dedos do pé”. O acidente ocorreu no bairro Aruana quando, segundo ele, outro condutor invadiu a faixa da esquerda, por onde trafegava. Com a manobra, houve a colisão. A vítima sofreu escoriações nas articulações e teve braços e pernas lesionados.
Por trás dos números, estão vítimas que chegam diariamente às unidades de urgência, muitas delas jovens motociclistas, e um sistema de saúde que precisa responder de forma contínua a uma demanda elevada. Os acidentes de trânsito, que estão longe de serem episódios isolados, compõem uma rotina que se repete ao longo do dia e do ano.
Enquanto isso, os números seguem em ascensão, transformando as rodovias de Aracaju em cenários frequentes de tragédias evitáveis. A discussão sobre segurança no trânsito, mais do que urgente, tornou-se indispensável.
Fonte: Fanf1

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