A Polícia Federal prendeu preventivamente nesta quinta-feira dois empresários donos de uma rede atacadista do Distrito Federal. Joveci de Andradee Adauto de Mesquita são suspeitos de terem contratado um trio elétrico e fornecido alimentos, lonas e água ao acampamento golpista montado em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. Eles negam as acusações. As ações são cumpridas no âmbito da 25ª fase da Operação Lesa Pátria, que tem como foco o núcleo de financiadores dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
Os agentes cumprem ao todo três mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em oito Estados – Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Tocantins, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal.
A defesa dos empresários afirmou que eles forneceram voluntariamente a senha dos celulares, que foram apreendidos pela PF. — Não houve resistência nenhuma. Eles são pessoas sérias e honradas e têm a crença na democracia — disse o advogado Iure de Castro, que defende a dupla.
“Ressalta-se que, desde o início, houve esforços para esclarecer todos os fatos, compromisso que será mantido perante o Supremo Tribunal Federal. A realização de apurações pelo Estado é considerada válida, e os investigados vêem agora a oportunidade de elucidar completamente as questões em aberto. O Grupo ao qual Joveci e Adauto são acionistas reitera que é contra o vandalismo e a intolerância política, e acredita que a democracia é feita com pensamentos diferentes, mas jamais com violência. A diretoria do Grupo respeita as Instituições brasileiras, a democracia e o Estado de Direito”, diz nota enviada pelo advogado.
Eles prestarão depoimento na superintendência da PF do Distrito Federal na tarde desta quinta-feira.
Andrade e Mesquita foram indiciados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro do Congresso Nacional sob acusação de incitação ao crime. Os dois também foram incluídos no relatório final da CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do DF, à qual prestaram explicações em 2023.
À CPI do DF, Andrade negou que tenha financiado o acampamento e disse estar arrependido de ter ido à manifestação, à qual classificou como “estupidez”.
— É difícil tirar dinheiro de comerciante — disse ele em oitiva ocorrida em abril de 2023. O empresário contou ao colegiado que chegou “próximo à rampa” do Palácio do Planalto no dia 8, mas não invadiu nenhum prédio público.
Fonte: O Globo

Deixe um comentário