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Com saída de Bolsonaro da presidência, Brasil subiu 18 posições em ranking global de liberdade de imprensa


Relatório anual da Repórteres Sem Fronteiras aponta a saída de Jair Bolsonaro do poder como principal fator positivo para o exercício do jornalismo no país.

O Brasil subiu 18 posições no ranking global da liberdade de imprensa da Organização Não Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado em maio deste ano, mês que celebra o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. No ano passado, o país ocupava a 110ª posição do ranking – em uma lista com 180 países – e, agora, passa para a 92ª posição. 

O principal fator que contribuiu para a melhoria das condições para o exercício do jornalismo no Brasil, segundo o relatório da RSF, foi a saída de Jair Bolsonaro (PL) do poder. A ONG aponta que o mandato do ex-presidente foi marcado por “uma forte hostilidade contra jornalistas”, uma vez que ele “atacou sistematicamente jornalistas e veículos de comunicação. Em 2021, a RSF incluiu Bolsonaro na sua lista de “predadores da imprensa”.

O relatório destaca que a alternância política beneficiou, especialmente, o Brasil e os Estados Unidos, fazendo menção, no caso norte-americano, à saída de Donald Trump da presidência.

Por outro lado, a RSF destacou que, nos últimos dez anos, pelo menos trinta jornalistas foram assassinados no
Brasil. Esse dado, em específico, fez o Brasil ser “o segundo país mais perigoso da região para os profissionais da imprensa neste período”. Os profissionais mais vulneráveis, de acordo com a RSF, são “blogueiros, radialistas e jornalistas independentes que trabalham em municípios de pequeno e médio porte cobrindo corrupção e política local”.

Como no ano passado, a Noruega lidera o ranking global. Pela primeira vez, um país não nórdico ocupa a segunda posição do ranking (a Irlanda, que subiu quatro posições), seguido pela Dinamarca. No sentido oposto, o Vietnã (1789), a China (1799) e a Coreia do Norte (1809) ocupam os piores lugares no ranking da RSF.

No contexto latino-americano, destaca-se a queda expressiva do Peru (um recuo de 33 posições), em razão da “longa turbulência política” que atravessa o país, segundo a RSF, o que “alimentou a desconfiança por parte da sociedade em relação às instituições, mas também em relação à própria imprensa, em particular após a destituição de Pedro Castillo”.

A edição de 2023 é a 21ª do ranking da
RSF, que busca comparar o grau de liberdade desfrutado por jornalistas e meios de comunicação nos 180 países analisados. A ONG leva em consideração cinco indicadores principais: contexto político, arcabouço jurídico, contexto econômico, contexto sociocultural e segurança. De acordo com a RSF, neste ano, as condições para o exercício do jornalismo são satisfatórias em apenas 3 de cada 10 países analisados, sendo ruins em 7 a cada 10.

Fonte: Carta Capital

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