A principal decisão do governo é econômica e diz respeito ao preço dos combustíveis: o fim dos subsídios à gasolina e ao etanol, que possibilitou desde 2022 que o valor cobrado na bomba caísse substancialmente às vésperas da campanha eleitoral.
Há uma disputa dentro do governo entre a ala mais política e a equipe econômica, que já vinha defendendo a reoneração desde a transição e que sofreu uma primeira derrota no início do ano, quando o Planalto cedeu e prorrogou a medida por mais 2 meses.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se expôs nesse embate como defensor da volta da cobrança de impostos federais, o que garante quase R$ 30 bilhões a mais no caixa do Tesouro. O PT e a Casa Civil, em contraponto, temem que o fim da desoneração traga efeito negativo para o consumidor e afete a popularidade de Lula.
Ao que tudo indica, Lula está trabalhando por uma solução que não pese de forma imediata no valor do litro da gasolina nas bombas, mas que garanta os recursos para a Fazenda e também não deixe sua equipe econômica enfraquecida politicamente.
É um clássico do jeito Lula de fazer política: alimentar divergências internas e aparecer como árbitro tentando capitalizar as “soluções” com um discurso mais populista.
E importante dizer: o preço da gasolina na bomba impacta todo mundo, direta ou indiretamente. E historicamente é uma variável decisiva em indicadores de aprovação de governo.
Fonte: Jota

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