Senador afirmou acreditar na inocência do PM, confundiu o nome da mãe com o da criança e foi duramente criticado pela família da vítima.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) protagonizou uma cena inusitada no último debate presidencial, realizado pela TV Globo na noite desta sexta-feira, 23. Questionado pelo presidente Lula (PT), o senador voltou a defender o policial militar acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de apenas 5 anos, durante uma operação no Rio de Janeiro. A declaração foi feita diante da própria mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, que acompanhava o confronto na plateia.
O assunto foi levantado por Lula durante uma discussão sobre segurança pública. O presidente questionou a atuação de Flávio como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de efetuar o disparo que matou a menina em fevereiro de 2021, enquanto ela brincava na porta de casa, em Niterói. Em 2024, o senador integrou a defesa do agente e participou de uma tentativa judicial de impedir que ele fosse levado a júri popular.
Ao responder, Flávio afirmou se solidarizar com a família, mas cometeu uma gafe ao chamar Cristiane pelo nome da filha morta. “Ana Clara, eu quero falar pra senhora, prestar de verdade a minha solidariedade”, declarou.
Mesmo diante da mãe da vítima, o candidato manteve sua defesa do policial. “Eu tenho a confiança que não foi esse policial”, afirmou, ressaltando que o agente ainda não havia sido julgado. A versão apresentada pelo senador, entretanto, foi contestada por Cristiane, que afirmou ter presenciado a morte da filha e negou que houvesse traficantes no local naquele momento.
A reação da mãe foi contundente. Após o debate, Cristiane afirmou que Flávio não respondeu ao principal questionamento que ela gostaria de fazer: por que decidiu atuar na defesa do policial acusado de matar sua filha. Em entrevista, ela também chamou o candidato de “monstro” e contestou a versão de confronto apresentada por ele.

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